
A vida da Carmelita é uma Páscoa Eterna.
Uma das características da vida da carmelita é a alegria. Santa Teresa de Ávila foi uma monja alegre, feliz, porque buscou sempre a vontade de Deus. E na vontade de Deus, mesmo nos momentos difíceis, sabia ver o lado positivo. É difícil encontrar em Santa Teresa o desânimo, tão comum em nossos dias. Quem tem fé caminha corajosamente contra os ventos adversos e sabe que nunca será desamparado por Deus. Santa Teresinha é considerada a santa da alegria, pois entendeu que quando se ama tudo se faz alegria em nossa vida. São João da Cruz que muitas pessoas acham um santo triste é na verdade um dos santos que mais soube sentir a alegria da criação, vendo o reflexo vivo da presença de Deus e, mesmo na cruz soube sentir a alegria de Cristo. Claro que a alegria do Evangelho é bem diferente da alegria que o mundo prega por aí. Ora, para os que não têm fé, a alegria é ausência da Cruz, bem estar econômico, consumismo levado ao extremo, saúde, dinheiro e por aí vai… Mas esta linguagem contraria aos que seguem Jesus com retidão. As pessoas que visitam o Carmelo ficam maravilhadas em ver a alegria das monjas! As grades, como diria a beata Elisabeth da Trindade, não separam, mas unem. Assim será sempre no Carmelo. A vida de clausura, de busca, de oferta de si mesma para a Igreja e para o mundo as faz felizes porque sabem que assim realizam o próprio apostolado. Ser fermento de uma vida de oração de entrega total ao Senhor.
A Carminha de Tremembé. Com este nome é conhecida a Irmã Maria do Carmo, fundadora do Carmelo de Tremembé, no vale do Paraíba. Este Carmelo na diocese de Taubaté exerce uma missão muito especial. O Carmelo da Santa Face e Pio XII é um centro informal de espiritualidade. Quantas pessoas todos os dias o freqüentam para buscar uma palavra de conforto, oração e ajuda para poder viver melhor o próprio dia-a-dia, como os sacerdotes que olham para o Carmelo como um lugar onde alguém reza por eles para que sejam fiéis ao compromisso evangelizador. O Carmelo é uma chama viva que clareia as nossas noites e nos indica o caminho que devemos seguir para nunca perder de vista o rosto de Jesus ou, como diria a Santa Teresa de Ávila: “fixar o olhar em Cristo Jesus.”(M 1,2,11)
A Carminha de Tremembé com sua vida ela mesma nos diz: “a vida da carmelita é uma páscoa eterna”. Esta frase tem um sabor de vitória sobre o pecado e o mal. É possível dizer e aplicar isto na medida que nós vivemos em nós o mistério da redenção – paixão, morte e ressurreição. O Cristo crucificado nos mostra cada vez mais a beleza de nossa vocação: ser como ele, passar no mundo fazendo o bem a todos.
Há uma poesia da Madre Maria do Carmo que mostra como ela era feliz na vida Carmelitana.
Minha celinha
Vou cantar na lira minha
Qual o canto da celinha
Este meu pequeno céu
É tão pobre, mas branquinha
Té parece uma novicinha
Toda envolta em longo véu!
Ao me ver em tal brancura
Dá-me ânsias de ser Pura
Pra viver só de Jesus
Irradiá-lo sobre o mundo
Qual sol no lodo imundo
Que transforma tudo em Luz!
Toda via o que me encanta
Mais na cela pobre e santa
É a prédica da cruz…
Tosca, nua de madeira
Pendurada á cabeceira
Sem a imagem de Jesus.
Com seus braços estendidos
Ela clama aos meus sentidos
“Imolai-vos sem cessar
Tu és filha, o Cristo vivo
O teu ser é meu cativo
Ama e canta a soluçar!”
Em seguida é qual um hino
Que sussurra tão divino
- O silêncio a me rodear.
Ele todo me embriaga
Tem carícias qual a vaga
Que serena beija o mar…
Na espera que possamos iniciar o processo de Canonização da Carminha de Tremembé vamos conhecer cada vez mais a vida desta carmelita simples, alegre e cheia de esperança e de fé.
Visite o Carmelo e leia os livros sobre a vida da Madre Maria do Carmo.
Frei Patrício Sciandini
(Vice Postulador da causa de Madre Maria Do Carmo)
A Carminha de Tremembé – modelo de Santidade.
“É essa a Missão do Carmelo – tornar-se amor para espalhar amor.”
(Madre Maria do Carmo)
Nada mais belo que termos consciência que Deus nos criou para conhecê-Lo, amá-Lo e servi-Lo aqui na terra e depois gozar de Sua presença na eternidade. Esta vocação passa através dos acontecimentos da vida que nem sempre soam claros para nós, mas sempre soam claros para Deus que nos conduz com infinita ternura. A Igreja propõe-nos viver, ser santos e, coloca em evidência homens e mulheres que souberam viver com admirável intensidade a própria vocação, tornando-se modelos para todos nós. Os Santos não nasceram tais, se fizeram. Tinham um caráter como o nosso, instintos bárbaros, mas souberam orientá-los, com a graça de Deus, a própria vontade até o ponto de tornarem-se mansos e humildes à imitação de Jesus. Descobrir estes “homens e mulheres excepcionais” é tarefa da mesma Igreja.
Eu fico muito feliz quando ouço dizer de mais um Processo de Canonização de alguém, e muito mais quando este “alguém” é uma Carmelita descalça ou carmelita descalço. O Carmelo com sua vida de silêncio, de oração, de total doação ao serviço de Deus e da Igreja, como fermento e água viva, sacia o desejo e alimenta a experiência de Deus.
A Diocese de Taubaté se prepara para que, se Deus quiser, iniciar o Processo de Canonização de Irmã Maria do Carmo da Santíssima Trindade, mais conhecida como a Carminha de Tremembé. Uma monja Carmelita Descalça que, antes de chegar a Tremembé, peregrinou por vários lugares, desejosa de ser Santa e que conseguiu ser um sinal de fé, de esperança e de amor para muitas pessoas.
Quem foi a Carminha de Tremembé?
“Quero ser o Amém de Deus.”
(Madre Maria do Carmo)
Quando falamos dos Santos, somos tentados a pensar que eles tiveram uma família bem constituída, viveram nos braços da ternura e nunca tiveram nenhuma dificuldade na própria caminhada humana e espiritual. É um grande erro. Hoje como ontem nós tivemos “mães meninas” e quando a Carminha nasceu em Itu, sua mãe tinha apenas 15 anos. Uma idade tão comum hoje em dia. Como pode uma menina de quinze anos ter uma filha? Aí vemos como a Providência intervém: os avós paternos, pais de Teotônio, levam a menina – Carmen – para Campinas, onde deram toda uma educação, uma formação humana e intelectual. A distância da mãe e do pai não provocou grandes lacunas no coração de Carmen, porque encontrou amor! Mais tarde, ela estava em São Paulo, no Colégio Sion para completar a sua formação e depois no Rio de Janeiro onde em 1926, no dia 21 de abril, entra no recém fundado Carmelo São José. Mas vamos evidenciar algumas datas importantes na vida de Carminha:
25 de novembro de 1898 – Nascimento em Itu/SP
12 de fevereiro de 1899 – santo batismo em Campinas/SP
21 de abril de 1926 – Entrada no Carmelo São José no Rio de Janeiro
24 de outubro de 1926 – vestição religiosa
2 de novembro de 1930 – Profissão Solene.
23 de maio de 1946 – Eleita Priora no Carmelo São José.
7 de setembro de 1955 – Fundação do Carmelo da Santa Face e Pio XII em
Tremembé /SP.
13 de julho de 1966 – ás 5h45 entrega sua alma ao Senhor.
Amor, dor, Felicidade!
“Amor, dor, felicidade. O amor e a dor me levam á bem aventurança da união.”
(Madre Maria do Carmo)
Se nós queremos sintetizar com poucas palavras toda a vida da Irmã Maria do Carmo da Santíssima Trindade, poderíamos usar suas mesmas palavras de 1951, quando ela celebrava os 25 anos de sua vestição religiosa: “amor, dor, felicidade”. De fato, ao longo de toda sua vida ela não teve nenhuma preocupação a não ser a de realizar o projeto de Deus. Nela o amor de Deus não foi estéril, sempre e em todas as circunstâncias se compromete em dar o melhor de si a Nosso Senhor: os seus afetos, a sua inteligência, a sua dedicação… Sentia-se totalmente inserida no Coração de Jesus e queria ser na Igreja uma presença orante diante da Hóstia Consagrada. Mas o amor não pode existir sem a marca da Cruz que, para nós que temos fé, não é castigo e nem tampouco falta de amor de Deus que dá a cruz para aqueles que ama de verdade. A cruz, a dor, nos consagram e nos tornam ainda mais amigos de Deus. Todos nós, quando amamos a Deus, queremos abraçar com gosto a nossa cruz e assumir no nosso coração todos os sofrimentos da humanidade. Maria do Carmo fez isto na sua vida e com seu testemunho ensinou as irmãs de sua Comunidade a serem amantes da cruz de Cristo e Sua paixão, para que o Cristo possa sempre ter almas que se ofereçam ao Pai pela salvação da humanidade.
O amor assumido com a cruz gera a beatitude, como Carminha diz, que é a felicidade.
Na escola dos santos do Carmelo, especialmente de Santa Teresa, são João da Cruz e Santa Terezinha, Irmã Maria do Carmo alimentou sua vida interior, e sabe que, quando se ama, a felicidade não significa ausência da Cruz, mas sim capacidade de carregá-la com alegria. O corpo pode estar ferido, o coração sofrendo, mas a alma canta e rejubila e bendiz a Deus por tudo. Estas três palavras “amor, dor e felicidade” constituem o projeto da vida de Irmã Maria do Carmo e o nosso.
O Processo de Canonização.
“ As almas quis de meus irmãos salvar
A cruz beijando qual herança minha
A tudo dei de mão… sem mais passado olhar”
(Madre Maria do Carmo)
Depois da morte de Irmã Maria do Carmo, que foi uma verdadeira festa na terra e no Céu, onde o povo de Tremembé e de outros lugares tiveram a graça de ter alguém para interceder, foi se difundindo sua “fama de Santidade”. Sua lembrança não foi apagada pelos anos, mas foi crescendo até o ponto que a comunidade do Carmelo de Tremembé, provocada pelo povo, pelos Sacerdotes e amigos Bispos sentiu a necessidade de pedir a abertura do Processo de Canonização.
Estamos esperando, com a graça de Deus, esse grande acontecimento eclesial. Na Diocese de Taubaté, animada pelo Senhor Bispo Dom Carmo João Rhoden, vamos desde já continuar a suplicar ao Senhor que revele Seu amor por nós. Esperamos que, se for de Sua vontade, um dia Carminha de Tremembé possa ser proclamada Santa pela autoridade e pelo ministério da Igreja. E, a nós, cabe trabalhar para que isto aconteça.
Frei Patrício Sciandini, vice postulador da causa de Me Maria do Carmo, tem publicado vários livros, pregador de retiros, foi várias vezes Superior Provincial.
Nasceu em Arrezzo Itália.
fez sua profissão Solene na Ordem da Bem Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo no dia 09/02/1971.

Essas são as Irmãs que conviveram com Madre Maria do Carmo da Santíssima Trindade.
Na ordem da esquerda para direita.:
atraz.: Ir.Ismênia, Madre Thereza Maria, Ir.Maria Regina
na frente.: Ir.Verônica, Ir.Elisabete, Ir.Maria Luiza
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Que significa introduzir uma causa de canonização?
Por “introdução da causa” entende-se tecnicamente um ato formal do Papa mediante o qual se autoriza a tratar em Roma, na Congregação para as Causas dos Santos, a Causa de um candidato à honra dos Altares.
Antes, porém, de chegar a este passo, o Ordinário do lugar onde morreu o/a candidato/a, deverá recolher, sob a sua responsabilidade pessoal e com a colaboração de pessoas da sua inteira confiança, as informações sobre a fama de santidade, vida, virtude e milagres do que começará a chamar-se desde esse momento Servo/a de Deus; e deverá também averiguar, segundo o estabelecido nos Decretos de Urbano VIII no séc. XVII, se lhe atribuiu algum gênero de culto sem a devida autorização, o que comportaria a suspensão do processo.
Para completar estes requisitos prévios, o Bispo da Diocese instrui um “procedimento instrutório diocesano”, como se chama agora o que antes se dizia Processo Ordinário, depois de ter solicitado aprovação ou “Nihil obstat” da Congregação para a Causa dos Santos.
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Dom Carmo João Rhoden Bispo Diocesano de Taubaté

Pe Geral da Ordem, Luíz Arostegui Gamboa
No dia 07 de março o Padre Geral dos Carmelitas Descalços, Luis Arostegui Gamboa, respondeu positivamente, o pedido das Carmelitas do Carmelo Santa Face e Pio XII. No qual as irmãs pediam para a Ordem assumir a Causa de Canonização de Madre Maria do Carmo.

Frei Patrício Vice Postulador da causa de Me Maria do Carmo

Pe Ildefonso Moriones, Postulador Geral da Ordem Carmelita Descalça

Tumulo da Madre Maria do Carmo da Santíssima Trindade, no Carmelo Santa Face e Pio XII, em Tremembé - SP